segunda-feira, 9 de março de 2009

O Machado Tridimensional

Algumas pessoas me acham incoerente e não as recrimino, afinal, faz sentido pensar como penso e não ser recluso como aqueles poetas românticos e sisudos ? Como posso compor, recitar, amar e ao mesmo tempo fechar a pista dançando música de preto, de índio e de branco ou subir no palco pra cantar ao vivo ? Como posso descompromissadamente flertar e até beijar ?
Pelo visto pra elas eu só seria coerente se tivesse pele verde, um cabeção, enormes olhos pretos e um par de anteninhas ! (risos)

Admito, sou desequilibrado mesmo, às vezes bambeio pra lá e pra cá como uma gangorra, mas esse desequilíbrio não é moral, nem racional. Não tenho nenhuma patologia, nem sou insano. Eu me manifesto como um pêndulo dimensional, que ora é divino, ora é profano.

Tenho que admitir que não é incomum os homens falarem diferente do que pensam e agirem diferente do que falam e do que pensam. Somos uma espécie arredia, misteriosa e frívola (não todos, é claro).
Um dia eu decidi lutar contra a minha frivolidade, lá atrás na adolescência. Depois de uma puxada de orelha, de cuja dor lembro até hoje, eu busquei me tornar uma pessoa comprometida, transparente e sincera. Essa última é a mais difícil e a mais recompensadora...
Portanto, acho super curioso o fato de alguns ainda não acreditarem nas minhas palavras e nos meus valores e por isso resolvi tentar entender o porquê dessa incredulidade.

Percebi que sou um ser com três dimensões, a saber: pessoal, interpessoal e transpessoal. Eu ia dizer que todos somos tridimensionais, mas minha amiga Ana Luisa me disse que estou sendo muito cartesiano e como Descartes é praticamente meu anti-herói vou me ater a mim mesmo.
Enfim, a minha dimensão pessoal é aquela que contém a minha consciência, a minha mente, a minha lógica e todas as características falíveis que tenho, impulsos, desejos, perversões, e por que não desvios ? Já a transpessoal é aquela onde estão representadas todas as ligações extra-humanas, meu espírito, minha porção esotérica, divina, que ama intensamente e tem fé.
Os contructos formados a partir dessas duas dimensões se expressam através da dimensão interpessoal, que são todas as relações em que me envolvo ao longo da vida.
Não bastasse isso, ainda me realimento das informações que recebo dessas interações, o que eventualmente influecia meu eu pessoal. É complicado...

Essa divisão, apesar de um pouco infantil e talvez estúpida, sugere porque me comporto de forma multifacetada. Na verdade, a culpa é da razão e da fé que brotam em mim alternadamente, sem que eu tenha o menor controle sobre o seu surgimento. Eu até poderia em alguns casos pedir ajuda pra minha moral, mas como todos sabem, o meu superego está de licença médica. A boa notícia é que ele já saiu da UTI e está se recuperando bem. (risos)

Sendo assim, o máximo que posso fazer é falar a verdade, como estou fazendo agora, mas sei que haverá sempre os crentes e os descrentes...

E por fim, lhes peço: qualquer que seja o caso não se assustem e não me crucifiquem ! Independente do eu em vigor, o do anjinho ou o do diabinho, me arrisco dizer que o respeito está sempre presente.

Lembrem-se: de bem intencionados o inferno está cheio, assim como de mal intencionados o céu também está cheio !


Saudações fraternais,

Fabio Machado.

Um comentário:

Dani disse...

Posso não seguir a sua sugestão e continuar começando pelos loucos? São sempre os que eu mais me identifico! rs...