domingo, 22 de março de 2009

Pronto para o trigésimo segundo outono

Pra quem não sabe, anteontem aconteceu o equinócio de outono. Eu nasci no dia 23 de março, sempre um dos primeiros dias dessa estação e ao longo dos anos ela passou a ser minha preferida. É um período de intensa mudança, onde a Natureza se renova gradualmente, até mostrar toda a sua exuberância na primavera. Eu me identifico com essas características, já que sou um ser mutante, física, mental e espiritualmente.

Quando eu tinha dezessete anos conheci um lugar que viria se tornar o meu refúgio nas horas de profundas reflexões, meditações, construções e desconstruções. Fui convidado pra dar uma entrevista sobre o vestibular e precisaria tirar umas fotos que refletissem o meu momento. A repórter me perguntou onde eu gostaria de ir e pensei logo na Floresta da Tijuca, um espaço dominado pela Natureza, calmo, belo e poderoso. Ela concordou e disse que conhecia o local perfeito.

Inicialmente eu pensei que iria pra algum dos vários pontos que conhecia, já que eu e meus amigos costumávamos explorar as trilhas e escalar os picos de lá. Fui supreendido quando o carro que nos conduzia dirigiu por todo o percurso da floresta, parando num açude lindo, no final da pista, na saída de veículos. Percebi que nunca tinha estado ali, pois como jovem menor de idade, eu nunca estava dirigindo.

O local era perfeito e de fato traduzia o meu estado de espírito. Fiz a entrevista, as fotos e quando fomos embora, eu pensei que gostaria de voltar ali...
Nos anos seguintes esse episódio caiu no limbo da minha memória, graças à agitada vida universitária, mas depois do término de um relacionamento, ainda no início da faculdade, eu voltei. A sensação que tive foi igualmente incrível e essa segunda visita acabou por criar um vínculo entre mim e a beleza daquele pedaço do paraíso.

Dali em diante retornei ao meu local secreto pra me encontrar, sempre próximo ao meu aniversário ou ao Natal. Ninguém sabia, só eu. Em pouquíssimas ocasiões convidei alguém pra ir comigo, só quando achava que algum dos meus amigos precisava sentir aquela energia e se reequilibrar. Casualmente nunca fui acompanhado...

Mas nos últimos cinco anos, só tinha ido lá duas vezes, então na semana passada decidi que aproveitaria a proximidade do meu trigésimo segundo outuno e planejei um passeio...
Acordei no sábado (ontem) pouco antes das seis da manhã, provavelmente por ansiedade. Fiz alguns preparativos e parti para a minha jornada. O plano era o tradicional, me conectar ao máximo ao ambiente e me isentar de recursos muito elaborados.

Saí de casa a pé, carregando somente uma mochila com água, um livro e uma toalha. A idéia era caminhar até o meu recanto, sem me preocupar com nada. Chegaria lá e só então pensaria no que fazer: ler, meditar, rezar, observar, perceber...
Assim o fiz. Comecei meu trajeto num espaço urbano, barulhento e gradativamente fui me aproximando do silêncio, do bucolismo, de mim.

Pouco a pouco a Natureza foi mostrando seus ares e quanto mais eu me conectava, mais as nuances se exibiam, do amarelo esverdeado ao verde amarronzado.
Depois de quase duas horas avistei o lago, com sua água que de tão repousada refletia as frondosas árvores do entorno como um gigante espelho natural.
Fui até uma grande pedra onde costumo sentar e lá estendi minha toalha. Após alguns minutos de contemplação saquei meu livro e me pus a ler avidamente. Li por horas, entretido com as travessuras da meniná má de Mario Vargas Llosa, até que a iminente chuva me fez parar. Recolhi minhas coisas e peguei a estrada novamente.

Ainda era cedo, pouco depois de meio-dia, então resolvi caminhar pelo parque. A visão era linda e fui tomado por uma paz inebriante... Meus pensamentos se dissiparam e só me restou a observância, a contemplação. Precisava disso. Aquilo era mais do que um relaxamento mental, era uma limpeza espiritual que foi concluída com um banho numa singela queda d'água.
Andei, andei, andei, escolhendo os caminhos mais longos até contornar todo o circuito turístico e chegar à entrada principal. Enfim, estava de volta à realidade urbana, mesmo que ainda discreta.

Pra finalizar, tomei uma revigorante água de coco e fui agraciado simultaneamente com um sol brilhante e um céu lacrimejante. Perfeito !

Caminhei de volta pra casa, renascido, renovado, energizado. Agora estou pronto para o meu trigésimo segundo outono. Que venham outros !


Saudações fraternais,

Fabio Machado.

Um comentário:

Aline Mello disse...

Amigo, adorei o seu texto. Muito sensível..
Fico muito feliz em poder comemorar mais um aniversário seu. Por isso, FELIZ ANIVERSÀRIO, que Deus ilunime o seus caminhos e que a sua vida seja repleta de paz, alegria e amor.

Te adoro muito!!
Feliz Aniversário!!!!!!
Jaquinha.