segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O tempo é uma via de mão única, sem retorno !

Eu recebi um e-mail fantástico em resposta ao meu "post" sobre o luto. Inacreditavelmente eu CORROMPI a mensagem ao tentar movê-la de uma pasta pra outra no Outlook Express ! Já tentei usar uns programas de recuperação, mas nada ajudou. A única coisa que ficou registrada foi o nome da brilhante pensadora: Fernanda Mendes.
Em sua homenagem eu vou escrever dois textos, onde tentarei contra-argumentar alguns pontos e detalhar outros. Espero que você reapareça.

É impressionante como as pessoas convivem mal com o TEMPO ! Fico observando como é comum confortar-se ou atormentar-se engendrando situações fictícias, com critérios absurdos que resultam em conclusões falsas e perniciosas.

O tempo é um meio indefinido onde se desenrolam, de forma irreversível, as existências, os acontecimentos e os fenômenos na sua invariável mutabilidade. De forma mais simples, é uma ferramenta útil inventada pelo Homem para mensurar a progressão dos eventos que percebemos como VIDA.

Definido dessa forma ele nada mais é do que uma variável utilizada para modelar processos do nosso universo e como tal, deveria ser restrito a esse propósito. Infelizmente, a maioria de nós a usa de forma impensada.

Imagino que a invenção do tempo tenha sido um processo natural, já que o ser humano tem uma tendência a buscar padrões. Apesar da Natureza se manifestar de forma livre e por vezes aparentemente caótica, é possível observar determinados ciclos bem definidos, com início, meio e fim. O tempo é uma alternativa para equacioná-los e registrá-los de maneira estruturada.

Assim, a partir da sua criação o tempo se uniu ao espaço (as dimensões) e invadiu as profundezas das nossas mentes. Surgiram, presente, passado e futuro; consciência, memória e aprendizado.
Quanto mais evoluímos, mais complexa é a sua participação na nossa História.

Não sei ao certo, mas provavelmente foram nossos antepassados gregos que ao estudar o tempo (cronologia) perceberam que não temos acesso epistemológico ao futuro, ou seja, não somos capazes de saber no presente o que ainda vai acontecer. Por outro lado, conseguimos lembrar, mesmo que parcialmente, o que já foi vivido. Acessamos epistemologicamente o passado.

Nossas equações não são capazes de explicar essa peculiaridade, mas é fato que essa é uma regra da vida, pelo menos pra mim. Se alguém consegue antever o porvir de forma recorrente e inerrante, ou está perdido, ou nós estamos perdidos, porque ele(a) escolheu não nos contar o que nos espera ! (risos)
Além disso não conseguimos voltar no tempo ou mudar eventos passados. O fluxo temporal é sempre contínuo e inalterável. "Better get used to it" !

Apesar dessas limitações, dá-se um jeito de tentar burlá-las segundo uma estranha (in)conveniência. Vamos supor que uma pessoa que viaja sempre de avião se atrase 10 minutos e perca um vôo, por exemplo, porque pegou um engarrafamento no caminho A, enquanto um caminho B estava livre. Ela fica se lamentando e considera que se pegasse o caminho B chegaria em tempo hábil. Entretanto, se ela descobre que o avião que foi perdido sofreu uma pane fatal e caiu, ela se conforta e entende que se não fosse o engarramento ou se tivesse usado o caminho B teria morrido.
Mas afinal o caminho A é bom ou ruim ?

Ambas as considerações feitas são completamente falsas ! Até que me provem o contrário é IMPOSSÍVEL afirmar o que teria acontecido se a pessoa tivesse seguido pelo caminho B ! Ao nos permitirmos supor um evento passado diferente, somos obrigados a considerar infinitos eventos subsequentes possíveis, iguais e diferentes do que realmente se sucedeu, e não uma sequência específica qualquer ao nosso bel prazer.

Quando supomos o uso do caminho B adentramos o campo da hipótese, da fantasia, o mundo das idéias, e abandonamos a realidade temporal corrente. Nesse novo contexto tudo é possível: furar um pneu, ser assaltado, só passar por sinais verdes e/ou vermelhos, não sofrer um acidente de avião, ser transferido pra outra cia aérea, etc, etc, etc.

Portanto, não faz o menor sentido refletir sobre qual teria sido a melhor escolha. É irrelevante, pois nunca saberemos o que poderia ter acontecido. O futuro do pretérito simples ou composto do indicativo é descartável e de fato não existe em todos os idiomas.

Infelizmente manipulamos o tempo para moderar sucessos e insucessos e assim criamos um universo paralelo onde nos vemos todos-poderosos. Surge assim uma sensação de controle sobre vida que é tão certa quanto a frase: vou à praia amanhã.

Não controlamos nada, no máximo escolhemos. Por mais que seja frustrante acredito que quem normatizou o sistema o fez muito bem. Seria muito mais difícil se realmente estivéssemos no comando ! Do jeito que é nós podemos nos permitir atravessar nossa existência de maneira muito mais simples, pautados, talvez, na integridade.

Portanto, conformemo-nos e busquemos a felicidade, pois venha o que vier; seja o que for; o que passou, passou... Qual a próxima escolha ?


OBSERVAÇÃO:

Apesar da nossa impotência, isso não quer dizer que Deus é um jogador de dados e estamos sujeitos à aleatoriedade, mas esse é o assunto do próximo "post".


Saudações fraternais,

Fabio Machado.

Um comentário:

camille disse...

Concordo com vc em dizer que não vale a pena refletir sobre a melhor escolha....
acho que de todas as escolhas na vida, apenas 2 fazem sentido.. que é ser ou não ser feliz....
E porque escolher não ser.... isso sim seria fazer uma má escolha....
POr isso acho que , ser feliz é a melhor escolha do mundo..... e nunca deveremos pensar se vale realmente a pena ou não !!