segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Da temporalidade das escolhas

Não tem jeito, eu vejo o tempo como um grande inimigo. Minhas reflexões atuais me levam a crer que a sua invenção foi a pior já feita pela humanidade... mas deixemos esse assunto pesado para um outro "post".

Dentre as frases de efeito que eu costumo dizer pra alguns amigos, talvez a mais impactante seja "a vida é feita de escolhas". Ouvindo-a ou lendo-a assim, descontextualizada, parece algo óbvio, mas eu a entendo de forma mais complexa.
Fazemos escolhas a todo instante, consciente ou inconscientemente: Levantar quando o despertador toca, beber leite achocolatado, escovar os dentes, desejar bom dia pro vizinho (...) comer sobremesa depois da janta, assistir o noticiário...

A questão é que nós envolvemos o tempo nesse processo e uma simples escolha passa a ser "a escolha certa", "a pior escolha", "a escolha adequada", etc.

Essa adjetivação surge inicialmente por conta de um mecanismo de comparação. Levantar ao ouvir o despertador é a escolha certa, porque um compromisso já foi perdido, por conta dos cinco minutos a mais de soneca; beber leite achocolatado é a pior escolha, uma vez que suco de laranja é mais saudável, desejar bom dia pro vizinho é a escolha adequada, pois ele aceitou emprestar sua vaga de garagem gratuitamente.

Até aí tudo bem, comparar faz parte da essência mental humana. O problema é quando tentamos burlar a continuidade do tempo e afirmamos que o resultado seria mais favorável se tivéssemos feito uma escolha diferente da que fizemos, por exemplo, que não teríamos perdido o compromisso se não tivéssemos dormido mais cinco minutos; que não tivemos gastrite, porque nunca tomamos suco de laranja no café da manhã; que se não fosse pelo empréstimo do vizinho nosso carro não teria sido arranhado.

O fato é que nunca saberemos o que teria acontecido se tivéssemos feito escolhas diferentes das que já fizemos. Ao imaginarmos um instante no passado diferente, somos obrigados a considerar infinitos possíveis desfechos, não um único.

Enfim, existem escolhas, simplesmente escolhas ! A vida encarada dessa maneira nos afasta de muitas frustações, medos, ansiedades e outras armadilhas do tempo.


Saudações fraternais,

Fabio Machado.

2 comentários:

Elenita Rodrigues disse...

O melhor texto que já li por aqui. Depois, vou roubar.

Raquel Med Andrade disse...

Boa ou ruím, TODAS as escolhas que você fez foram as melhores - a mais sensata, a melhor, segundo seu entendimento...Viva em paz com elas, eu tento viver bem com as minhas.
Beijos