quarta-feira, 10 de março de 2010

Passado, presente ou futuro ?

O tempo é um assunto recorrente nesse diário, simplesmente porque ele permeia tudo e todos. As ciências naturais o utilizam para avaliar fenômenos, nós o utilizamos para definir nossa existência.

O tempo não existe por si só, nós o criamos ! Percebêmo-lo como algo contínuo e sem fim, cujo começo se remete ao início do que entendemos como universo. Portanto, a linha temporal limita o nosso alcance, nossa "abstração temporal". Não faz sentido perguntar o que havia antes do tempo zero, já que nossas fórmulas e equações só surgiram a partir desse marco inicial. Não faz sentido perguntar o que haverá depois do fim, já que não há um final predefinido. Na verdade, ainda há um limite muito menor da nossa percepção, já que nossa mente só experimenta de fato o intervalo da nossa vida...

O ser humano tem um atributo fundamental para a vivência temporal, a memória.
Curiosamente nós só memorizamos eventos que já aconteceram, mas não eventos que ainda estão porvir, ou seja, temos um acesso unilateral, restrito ao passado. Apesar disso somos capazes de imaginar o futuro, construindo realidades alternativas ao nosso bel prazer, em outras palavras, sonhamos com o futuro.
Em resumo, podemos nos "transportar" para o antes e para o depois, mas só existimos de fato no agora. O que eu entendo como real só acontece no presente !

Entretanto, por uma série de razões, uma grande parte das pessoas não "vive" só o hoje. Em geral, na minha percepção, mulheres vivem mais no passado e no presente, enquanto homens vivem mais no presente e no futuro. Infelizmente, quem vive demais em outros tempos costuma experimentar descrença, desconfiança, ilusão, alienação, inércia, ansiedade, dureza, de forma mais intensa. Por outro lado, concentrar-se em cada agora traz vida à existência, mas a busca incessante por uma não-causalidade também traz tormentos como irresponsabilidade, imediatismo, desorganização, além de provocar insegurança naqueles ao redor.

Enfim, somos "eternos" viajantes do tempo, caçadores de refúgio, fugitivos incansáveis. E você, onde vive ?


Saudações fraternais,

Fabio Machado.

Um comentário:

Maíra disse...

Nessa minha total imersão em Alice, tenho pensado muito em tempo, já que Lewis Carroll - pseudônimo de um matemático tímido e gago, com uma vida social frustrada - passava boa parte do seu tempo pensando no tempo..rs

Acho que o maior presente que recebi dessa obra foi a leveza do conceito de tempo. Discordo do que vc disse, quanto a mulheres passarem o tempo pensando no passado. Ainda acho que mulheres costumam passar muito tempo criando o futuro, imaginando as coisas como seriam. Algumas pessoas chamam isso de sonhar, outras chamam isso de idealizar, outros chamam de criar metas. Acho sinceramente que isso só depende da forma como lidaremos com esses pensamentos.

Para ser bem sincera, acredito que eu faça todas essas coisas. Passo dias pensando no motivo de algumas situações serem idênticas a alguns sonhos que tive, ou aquele bendito deja vu... Ah meu amigo, como esses momentos me deixam intrigada.

Passo horas pensando se eu fui capaz de criar o futuro, se eu fui capaz de lembrar do futuro ou se meu cérebro está me pregando peças e eu estou ficando louca. Acabo passando horas, dias, tentando entender como e pq eu já sabia, de alguma maneira que aquilo aconteceria.

Tenho noção do que o espiritismo diria, do que a física me diria, do que a psicologia me diria. Mas eu mesma não sei o que me dizer...rs

E assim o tempo passa, e vejo que ele é o nosso grande amigo. É com ele que brinco, é com o relógio que aposto corrida pela manhã, é com o por do sol que me encontro todos os dias...

Se vc tiver alguma nova percepção de tempo, divide-a comigo, será um prazer me confundir um pouco mais, ou que sabe, na mais ínfima das possibilidades, me dar por satisfeita nessa duvida que me consome desde que nasci.