segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Deus não joga dados. E nós ?

Continuando as reflexões sobre o tempo, não posso deixar de discorrer brevemente sobre o modelo que eu acredito reger o meu universo.
Antes disso, porém, é necessário frisar que eu não posso provar que o que é real pra mim o é para os outros. Essa perspectiva se chama solipsismo e diz que só podemos considerar verdadeiros os nossos próprios processos mentais, ou seja, de maneira bem simplista, posso dizer que a percepção que cada um de nós tem do mundo exterior, incluindo até as outras pessoas, não necessariamente é a mesma, portanto não pretendo apontar a verdade absoluta, somente a minha verdade.

Terminei o último "post" dizendo que não estamos sujeitos à aleatoriedade. Eu quis dizer que não vivemos num sistema livre onde os eventos acontecem ao acaso, não é a sorte que define o próximo instante. A vida parece ser um processo contínuo causal com muitas variáveis, de modo que a capacidade do ser humano é insuficiente para modelá-lo. Portanto, creio que Deus não conduz o universo de maneira desregrada, ele não é um jogador de dados, nós é que não conhecemos as regras do jogo !
Em virtude disso nos valemos das ferramentas disponíveis para tentar prever os fenômenos e assim controlar nossas vidas.

Uma dessas ferramentas é a Teoria das Probabilidades, ciência que tenta quantificar a possibilidade de um evento futuro. Através dela podemos calcular a chance de um raio cair em alguém ou de chover daqui a três dias. Outra alternativa é a Estatística, cujo objetivo é medir a freqüência de ocorrência de eventos passados, além de determinar possíveis correlações e relações de causalidade entre eles. A análise dos dados estatísticos também serve para estimar ou possibilitar a previsão de fenômenos futuros.

Entretanto, esses recursos são extremamente limitados para alguns propósitos práticos. Eles só se verificam em situações controláveis e ideiais que não existem na Natureza. A probabilidade de obtermos CARA ao jogar uma moeda é de 50%, mas quando de fato pegamos uma moeda na carteira e a jogamos, não antevemos qual lado cairá pra cima, ou seja, a ciência nós dá somente uma estimativa, nada mais. Ainda que tentássemos verificar estatisticamente a probabilidade conhecida, jogando inúmeras vezes a mesma moeda, as várias condições existentes no ambiente são tão dinâmicas, heterogêneas e finitas que seria impraticável comprovar o percentual probabilístico.

Acima de tudo, existe um elemento incontrolável que torna algumas previsões extremamente frágeis, o livre arbítrio. Dentro de uma razoabilidade posso dizer que o ser humano possui a capacidade de escolher livremente seu próximo passo. Eu sei que a cultura, a ética e as leis influem nesse processo, mas o que quero dizer é que na maioria dos casos podemos escolher se vamos ou não limpar o ouvido.

Por conta do livre arbítrio, a Probabilidade e a Estatística se tornam um jogo perigoso quando utilizado para prever situações que envolvam pessoas, capaz de distorcer a realidade e criar o mundo das ilusões . Ao utilizarmos essas ciências para, por exemplo, tentar antecipar qual será o caminho mais seguro (sem assalto) para seguirmos uma viagem de carro estamos abandonando nossa liberdade de arbitrar nossas vidas e cedendo nosso direito para os bandidos. Por que ?
Porque a chance de sermos assaltados está sendo estimada com base nas escolhas de cometer ou não assaltos feitas pelos bandidos anteriormente ou com base no padrão comportamental possível deles. Portanto, se os bandidos decidirem agir como sempre agiram estamos a salvo, senão precisaremos ser salvos ! Como eles provavelmente fazem uso do próprio livre arbítrio só nos resta gritar: Socorro !!!

PAUSA PARA PENSAR EM OUTROS EXEMPLOS,

Enfim, já que nós não temos controle sobre a vida, não há nada mais frustrante do que abrir mão daquilo que nos resta, pois dessa forma assumimos o papel de meros mamulengos num teatro vazio, onde a platéia inteira dorme e sonha que as cordas não existem.
Por isso eu tento me manter acordado e viver de forma que minhas escolhas não sejam melhores nem piores, boas nem más, sejam simplesmente escolhas minhas.

PAUSA PARA REFLEXÃO,

Fica a pergunta: Somos espíritos livres ou prisioneiros da nossa própria ignorância ?

...TEMPO DE SOBRA PARA SE LIBERTAR...


Saudações fraternais,

Fabio Machado.

4 comentários:

Ju Kühne disse...

Eu diria q ao mesmo tempo q somos espiritos livres, nos fazemos prisioneiros d nós mesmos! Nem só um, nem só outro... e sim os dois ao mesmo tempo!!!

E mais ou menos como vc disse: temos tempo d sobra pra nos libertar!!! O importante é buscar sempre por essa libertação, por mais difícil e "resistente" q seja... mas procurar nos sentir mais "livres d nós mesmos" a cada dia!

Aprendí muito disso tudo com vc, e sou eternamente grata por isso!!! Claro q vc só me deu informações, e qm transformou em conhecimentos fui eu... mas seu papel foi d fundamental importância nesse processo!!! Sou hj uma pessoa mais livre q ontem, e serei amanha mais livre q sou hj (apesar d não poder prever o futuro, ou isso não ser um jogo d dados... mas é uma escolha q, graças ao meu livre arbítrio, eu posso fazer)!!!

Mil beijos!
Ju.

MPP disse...

Hmmm...
Dependendo da sua concepção de Deus, livre arbítrio pode ser incompatível com "Deus não joga dados". Livre arbítrio passaria a ser uma ilusão causada pela nossa incapacidade de percepção. Ou será que Deus joga dados ?
Hmmm...

Maíra disse...

Eu me prometi q só comentaria aqui quando eu tivesse tempo para ler tudo q vc tivesse escrito. E acredite, eu li só agora, nas férias.

Sempre conversei com vc menos do que eu desejava, ou menos do que eu acho q nossas conversas durariam.

Admiro em vc, e sempre admirei, a atitude contestadora de pensar que nunca podemos nos permitir ser empurrados pela linha de produção da vida: nascer, crescer, estudar, casar, ter filhos e morrer.

Já é possível perceber que a vida nos tras sempre situações em que devemos fazer escolhas. Mas se observarmos friamente, não existem infinitas possibilidades como diz a quântica, existe um numero finito de possibilidades.

A razão disso, ainda não sei dizer, mas ela existe. Como tudo pode ser explicado, só não sei a resposta ainda.

Assim como vc, todos estão em busca de algumas respostas para suas perguntas. Dentro de vc e fora de vc estarão as respostas e vc sabe disso melhor que eu. Mas eu só torço por poder sempre estar perto de vc e assistir à sua vida, observar a maneira como vc comanda seus atos, suas escolhas.

Estarei sempre por perto.... Sempre.

Beijos.

Dani disse...

Olá! Obrigada pela visita e pelo elogio! Passei para conhecer a vida em verso e prosa, tô fuçando por aqui, tá? rs... Saludos! :)